Zabriskie Point

a música no cinema

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escolhi cinco momentos no cinema em que a música é como um personagem, como uma boca que traga o filme para o pulmão (o espírito da coisa toda). enfim, me emocionam:

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Escrito por Luiz Fernando

Março 5, 2011 em 1:53 pm

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sem essa, aranha

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há umas semanas tive o prazer de ver no cinema o clássico marginal O Bandido da Luz Vermelha, do catarinense visionário Rogério Sganzerla. e enfim, é lindo, tudo flui de uma maneira divertida e contínua, além se ser um puta trabalho de ideais do marginalismo – é talvez o filme que mais representa o movimento, ou pelo menos aquele que mais contrai suas idéias do modo mais incrível possível. e são esses princípios do cinema marginal que fez surgir filmes como A Mulher de Todos e Sem Essa, Aranha, ambos também dirigidos pelo cara.  o segundo traz no papel principal o ilustre jorge loredo e seu inesquecível personagem, zé bonitinho, como um banqueiro que vive cercado por três mulheres – sendo uma delas helena ignez, ah – enquanto rebate, com um teor bastante crítico, frases sobre o quão o brasil é um país de merda. luiz gonzaga, que faz algumas pontas no filme, diz que vivemos num anti-brasil e não sabemos que será de nós. se por sua vez o bandido da luz vermelha possuía em seu consciente o desejo de saber sobre si, ‘sem essa aranha’ é um filme tomado pela idéia de questionar o que é o brasil. em vários momentos do filme, a repetição é exercida em frases como ‘estou com fome’, ‘estou com dor de barriga’, ‘vender a alma ao demônio, essa é a saída do brasileiro’, etc, para que este reafirme seu caráter ácido. aliás, o ‘caráter’ do filme é um detalhe a parte – as tresloucadas tomadas de câmera de sganzerla podem não agradar ao público mais, sei lá, sensível, com longos takes com a câmera na mão, um cinema-verdade incrível, no qual os personagens entram no filme de uma maneira totalmente fictícia; e fica claro o desejo dos produtores em esclarecer que o filme é uma obra de ficção e que aquilo tudo é ensaiado e filmado (há uma bela cena a qual a equipe de filmagem e o elenco ficam de frente para um espelho) de um jeito bizarro e escatológico e principalmente desafiador que só o brasil poderia conceber. vi o filme há alguns instantes e ainda estou pensando nele, e isso aqui então é só um desabafo.

Escrito por Luiz Fernando

Fevereiro 1, 2011 em 11:29 pm

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anos 2000

com 2 comentários

filmes mais legais desses anos aí

01. Antes do Amanhecer (Richard Linklater, 2004)
02. Vício Frenético (Werner Herzog, 2009)
03. Memórias de um Assassino (John-ho Bong, 2003)
04. Traição em Hong Kong (Oliver Assayas, 2005)
05. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)
06. Miami Vice (Michael Mann, 2006)
07. E aí, Meu Irmão, Cadê Você? (Joel & Ethan Coen, 2000)
08. A Espada e a Rosa (João Nicolau, 2010)
09.  Exilados (Johnnie To, 2006)
10. Não Estou Lá (Todd Haynes, 2007)

não representa exatamente os melhores em si,  mas os melhores em termos de diversão x qualidade, etc.

Escrito por Luiz Fernando

Fevereiro 1, 2011 em 11:00 pm

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Minimalismo

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Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles (Chantal Akerman, 1976) – 91

201 minutos de filme NECESSÁRIOS. Em Jeanne Dielman, tudo parece ter uma precisão milimétrica e a maneira como as coisas, e principalmente os pequenos detalhes, se ligam contribui de modo a construir no cenário uma espécie de dramaturgia filmada, e adepto à proposta de Bresson sobre o cinema nunca tentar ser teatro & vice e versa, e com Chantal Akerman destruindo tudo e aparentemente revolucionando o cinema com essa linguagem minimalista, de cenários fechados, com a câmera posicionada frontal e imovelmente, seria correto criticar o filme pelo seu wanna be teatro, mas não creio nessa vontade de se fazer um filme-teatro, pelo contrário, isso é uma conseqüência de uma transgressão à ordem pela qual o cinema vinha se afirmando, em tempos de Taxi Driver, Todos os Homens do Presidente e Carrie.

Enquanto nos Estados Unidos os grandes sucessos eram filmes violentos, escatológicos, políticos, etc, na Bélgica Akerman produzia um filme sobre a vida, por mais clichê que isso possa soar. Um filme acima de tudo corajoso e reflexivo em denunciar o vazio existencial da dona de casa burguesa e viúva, mãe de um filho adolescente, Jeanne Dielman, interpretada magistralmente por Delphine Seyrig, cuja rotina é estritamente mecânica e agonizante (e em certas vezes ganha dinheiro prostituindo-se em casa)

Assim, acompanhamos três dias dessa vida e, por mais lento que o ritmo se afirme, é necessário compreender que mesmo a narrativa prolongada/estendida é uma técnica de persuasão quanto ao vazio de Jeanne, e conforme Akerman dá ênfase às tarefas diárias, os pequenos detalhes rotineiros, somos tragados a fazer parte daquele cenário o qual as ações se desenrolam de uma maneira programada e quase que sutil, até seu final derradeiro e decisivo – enfim, por essas é outras sem dúvidas trata-se de um filme difícil, cuja ideologia nos faz pensar por dias.

Escrito por Luiz Fernando

Dezembro 27, 2010 em 1:46 pm

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Africanos

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White Material (Claire Denis, 2010) – 88
Un Homme qui Crie (Mahamat-Saleh Haroun, 2010) – 75

Após assistir White Material, novo e excelente trabalho da Claire Denis estrelado pela Isabelle Huppert, conferi o elogiado Um Homem que Grita, dirigido pelo africano Mahamat-Saleh Haroun, e achei possível estabelecer algumas relações entre ambos os filmes. Formalmente, são diferentes: o filme de Denis é um retrato mais frio e seco do momento de guerra civil que passava a África, e O Homem que Grita rebate a situação de modo mais lírico e sentimental, dado inteiramente aos olhos dos africanos que se desesperam com a situação e procuram ir embora ou refugiar-se – enquanto a personagem de Huppert é uma branca que insiste em permanecer em sua terra (daí o título no Brasil, ‘Minha Terra, África’) para cuidar de sua plantação de café.

Particular e obviamente, principalmente por vir das mãos de Claire Denis, White Material é uma coisa mais brutal, ao mesmo tempo em que se estabelece como um belo retrato da civilização africana durante estes tempos de conflitos, e por isso superior ao filme de Haroun, por vezes radicalista, de um modo manipulador e sentimental, se afirma como um essencial filme anti panfletário, interessante e minuciosamente bonito.

Mas esse radicalismo no entanto não afeta o poder de expressão de Um Homem que Grita, e por mais que algumas tentativas de ser triste/melancólico dentro do discurso familiar de pai para filho seja clichê, por outro lado quando funcionam é um NEGÓCIO – fora algumas outras belas sequências, como a qual uma personagem canta uma música de forma a quebrar o pesado teor psicológico que a guerra civil impõe sobre aqueles africanos no(s) filme(s).

Ao que resta, são dois filmes importantes, que não atendem ao argumento panfletário e nos conduzem à reflexão sobre o poder da imagem em cima das palavras. Filmes contraditórios, de certa forma, mas integral e moralmente relacionados, obras que além de explicitar o momento que aquele continente passa, também indiciam certa coragem quanto à opção de não terem finais felizes – tal como Isabelle Huppert, Youssouf Djaoro e toda sociedade africana, por acaso, não previam.

Escrito por Luiz Fernando

Dezembro 2, 2010 em 1:23 am

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Desaparecido, um Grande Mistério

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Missing (Costa Gavras, 1982) – 83

Missing é um filme sobre a situação sócio-política-revolucionária/reacionária-armamentista-etc que se via no Chile nos tempos da ditadura de Pinochet. Na verdade, é um filme sobre o golpe que o levou ao poder. Menos que qualquer análise do desaparecimento de Charles Horman, este é um filme sobre o anarquismo e o medo: o mesmo que afogava os cidadãos chilenos quando se dava o toque de recolher; o mesmo que provocou na personagem de Sissy Spacek o desespero quando se viu à mercê das ruas tomadas pelos soldados da ditadura. No olhar de Costa-Gavras, é politicamente um digno filme esquerdista, que condena a oposição militar de Pinochet pelos 120 minutos de película, tendo como pré e pró-argumento o sumiço do idealista e comunista escritor americano que sabia demais sobre o golpe de estado. É além de tudo um belo filme, não tão técnico em sua amplitude, mas tem toda aquela fotografia classicista que caracteriza filmes como Assassinato no Expresso do Oriente e All ABout Eve, por exemplo. O destaque é, no entanto, o indício do drama político, um terror moderno e/ou um thriller reflexivo.

Escrito por Luiz Fernando

Outubro 16, 2010 em 8:04 pm

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Le Boucher

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“If you only knew human nature…” sighs the detective, but in fact human nature is laid out quite precisely in this brilliant psychological thriller – both its “Cro-Magnon” side, in the killer’s blind rage and the butcher’s memories of wartime savagery (and perhaps also in the constant background presence of children, as unthinking in their innocence as the killer is in his brutality), and its more exalted side, our attempts at something more transcendent (“Aspirations”!), whether the primitive cave-paintings in the grotto or the tentative tenderness between a man and a woman. The greatest aspiration of all may be Community, the village life that sanctifies and civilises triumph and tragedy through its rituals, its weddings and funerals – the opening caption is more than a dedication; the villagers of Trémolat are the true heroes here – though of course redemption comes in many forms; Chabrol plays Hitchcockian games then deliberately goes beyond them, the damsel-in-distress climax duly offered then transcended by a sublime final 10 minutes, the damaged – but redemptive – love of two damaged people (note the sly side-note of the heroine’s disenchantment, which implicitly is what allows her to respond as she does; she’d be deeply shocked, if she still believed in love). Starts with landscape shots, ends with the same shots only wreathed in fog, the noble haze of moral ambiguity. Sounds about right.

- Theo Panayides.

Escrito por Luiz Fernando

Setembro 16, 2010 em 10:10 pm

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